Dia 5
O jantar com os amigos tinha corrido bem. O vinho era bom, a comida bem temperada e as conversas animadas. O serão levou-nos por essas ruas estreitas que fazem acastelar bares e aglomeram pessoas errantes. Depois de uns bons copos num local estreito demais e cheio de fumo, saí para o exterior. A noite estava escura mas os candeeiros e os néons faziam acreditar que ainda era só o final do dia. Tirei o maço de cigarros e procurei o isqueiro no bolso direito do casaco, sinto algo na mão, olho para o isqueiro e lá estava ela, a formiga azul. Dou um pulo para trás e sacudo a mão, olho para o chão e ainda a vejo a desaparecer entre o lixo do passeio. Fiquei impressionado, era a primeira aparição no exterior, fora de casa, longe de casa… Meu Deus! Ela tinha vindo no meu casaco, ela não, uma delas, eram várias agora tinha a certeza. Porque entrou no meu casaco? Começava a pensar que era uma perseguição deliberada. A noite acabou. Fui para casa, o sono foi agitado pelos gins e pela recordação do inesperado encontro.



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