Dia 5
O jantar com os amigos tinha corrido bem. O vinho era bom, a comida bem temperada e as conversas animadas. O serão levou-nos por essas ruas estreitas que fazem acastelar bares e aglomeram pessoas errantes. Depois de uns bons copos num local estreito demais e cheio de fumo, saí para o exterior. A noite estava escura mas os candeeiros e os néons faziam acreditar que ainda era só o final do dia. Tirei o maço de cigarros e procurei o isqueiro no bolso direito do casaco, sinto algo na mão, olho para o isqueiro e lá estava ela, a formiga azul. Dou um pulo para trás e sacudo a mão, olho para o chão e ainda a vejo a desaparecer entre o lixo do passeio. Fiquei impressionado, era a primeira aparição no exterior, fora de casa, longe de casa… Meu Deus! Ela tinha vindo no meu casaco, ela não, uma delas, eram várias agora tinha a certeza. Porque entrou no meu casaco? Começava a pensar que era uma perseguição deliberada. A noite acabou. Fui para casa, o sono foi agitado pelos gins e pela recordação do inesperado encontro.


Andava preocupado com o desemprego crescente do país. A ministra da educação só tinha ideias geniais que pareciam tiradas de um manual de nazismo civilizado e cada mais pensava em ir trabalhar para as obras. Mas nem isso era boa ideia porque os ucranianos tinham já ocupado os melhores lugares e não eram tão exigente nos salários como eu. Outro problema e que ainda tinha esperança de ter alguma proposta interessante no campo profissional, porque noutros campos já nem esperança tinha enfim. Nesse dia decidi voltar para casa depois de uma tarde passada a jogar matraquilhos com um reformado de 70 anos, que por acaso ganhou na melhor de 20 e nem percebi bem como, teve sorte. Chegado a casa e como começava a anoitecer fechei as janelas da sala e acendi as luzes, pensei na formiga mistério, mas nada a vista. Peguei no comando e liguei a televisão e foi então que vi uma mancha no ecrã, lá estava ela a atravessar a televisão como se fosse uma passadeira. Peguei numa almofada que estava no sofá e atirei-me a tudo o que mexia e era azul. O resultado foi nulo, nada, desapareceu de novo. Decidi investigar procurei em livros e na net, tudo o que podia saber sobre formigas azuis, não cheguei a conclusão nenhuma, não sabia o que fazer. Pensei que a ministra da educação devia sentir-se assim também e por isso mesmo só fazia asneiras. Não podia cair no mesmo erro tinha que manter a minha mente serena. A noite foi tranquila.

